terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dados biográficos do escritor Olegário Mariano


1889 – 24 de março – Nasce no Recife, Pernambuco. Filho de José Mariano Carneiro da Cunha e de D. Olegária Carneiro da Cunha.
1893 – Prisão de José Mariano, durante a revolta contra Floriano Peixoto.
1898 – Morte de D. Olegária. José Mariano transfere-se para o Rio.
1904 – Olegário cursa o Ginásio Pio-Americano, do Rio.
1906 – Publica os primeiros versos na imprensa do Rio. Publicação de “Visões de Moço”, com prefácio de Guimarães Passos.
1911 – Publica “Angelus”. Casamento com D. Maria Clara Saboia de Albuquerque. Viagem à Europa.
1912 – Publica “XIII Sonetos”. Nasce a única filha do casal, que morre aos onze meses num desastre de trem. Morte de José Mariano.
1913 – Publica “Evangelho da Sombra e do Silêncio”.
1915 – Publica “Últimas Cigarras”.
1917 – Secretário da Missão Afrânio de Melo Franco à Bolívia.
1918 – Publica “Água Corrente”.
1922 – Publica “Cidade Maravilhosa”.
1923 – Publica “Castelos de Areia”.
1924 – Publica “Ba-ta-clan”.
1926 – Eleito para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira 21.
1929 – Escreve a revista teatral “Laranja da China”.
1930 – Publica “Canto da Minha Terra”. Escreve a revista teatral “Brasil Maior”.
1931 – Publica “Destino”. Inspetor de Ensino no antigo Distrito Federal.
1932 – Publica “Vida, Caixa de Brinquedos”, “Antologia de Tradutores”, “O Amor na Poesia Brasileira” (antologia), “Poemas de Amor e de Saudade” (antologia lírica) e “Teatro”.
1933 – Eleito deputado à Constituinte, pelo antigo Distrito Federal. Censor da Censura Teatral.
1935 – Tabelião do 15º Ofício.
1937 – Publica “O Enamorado da Vida”.
1938 – Publica “Da Cadeira 21” (discursos da Academia). Inauguração de seu busto, no Passeio Público. Eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, em substituição a Alberto de Oliveira.
1940 – Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário às Comemorações de Portugal.
1941 – Adquire a “Toca da Cigarra”, em Teresópolis.
1945 – Delegado à Conferência Interacadêmica de Lisboa, para o Acordo Ortográfico. Publica “Quando vem baixando o Crepúsculo” e “A Vida que já vivi”.
1949 – Publica “Cantigas de Encurtar Caminho”.
1953 – Publica “Tangará Conta Histórias” (versos para crianças) e “Correio Sentimental". Embaixador em Portugal. Inauguração de seu busto em Teresópolis, na Praça Olegário Mariano.
1957 – Publica “Toda uma Vida de Poesia”.
1958 – Falece a 28 de novembro.

Fonte bibliográfica:
Olegário Mariano – Poesia, por Herman Lima. Coleção Nossos Clássicos, sob a direção de Alceu Amoroso Lima, Roberto Alvim Correa e Jorge de Sena. Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1968.  

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

10 anos do livro “Humanização da Medicina e seus Mitos”




No ano de 2005 a Editora Companhia Ilimitada lançou o livro “Humanização da Medicina e seus Mitos” de minha autoria (Afonso Carlos Neves).
Nessa obra pretendi registrar estudos que surgiram a partir de atividades voltadas à Humanização da Medicina das quais participei desde 1985, na Escola Paulista de Medicina (nessa ocasião ainda não havia a Universidade Federal de São Paulo). Nesse ano, a já presente deterioração dos cuidados à saúde nos hospitais públicos nos levou a organizar encontros e debates a respeito de questões que envolvessem noções de humanismo, no sentido amplo do termo, e questões de saúde e doença.
Desde então, surgiram palestras, cursos, seminários, congressos, etc. de que participei, em torno dessas questões, o que levou a buscar um aprofundamento nesse assunto.
A partir daí, foram feitos estudos correlacionados ao Juramento de Hipócrates e os desdobramentos do entendimento de seu texto. Nesse sentido, ganharam vida as personagens correspondentes aos deuses gregos relacionados à medicina.
O livro contém nove partes, com diversos capítulos.
A parte 1 chama-se “Homo sapiens e Anthropos”, onde, a partir desses termos discute-se conceitos de “ser humano.
A parte 2 foi intitulada “O novo Humanismo e o Transhumanismo”. Ao mesmo tempo em que novas formas de entender o ser humano aparecem, como a que provém dos estudos de Mircea Eliade, estudioso da Mitologia, o Transhumanismo proveniente do desenvolvimento tecnológico promete transpor os limites do humano. A partir daí ainda haveria o ser humano?
A parte 3 chama-se “O Mito”, e discute os variados sentidos da palavra mito, desde “interpretação falsa” até as noções de Mito Moderno, bem como outras instâncias de Mito, incluindo as noções profundas de Mito associadas a estudos de psicologia.
Na parte 4, intitulada “Alguns precedentes da humanização”, discutem-se fatores que já associados a esse termo, antecederam o termo “humanização”, popularizado na transição do século XX para o século XXI.
Na parte 5, intitulada “Hipócrates e seus mitos” procura-se estudar Hipócrates como “Pai da Medicina”, mas também ele mesmo como uma figura mítica, tal a força de sua presença na Medicina.
Na parte 6, “Os Mitos do Juramento”, detalha-se o estudos das figuras míticas gregas relacionadas no Juramento, bem como outras que acabam se desdobrando do próprio aprofundamento no conhecimento dos mitos do juramento.
Na parte 7, “Símbolos e Mitos”, estuda-se a correlação entre determinados símbolos que se tornaram consagrados em relação à Medicina e os Mitos.
Nas partes 8 e 9, respectivamente “Uma outra Ilíada” e “Uma outra Odisseia”, faz-se certo paralelo com essas duas obras de Homero, na medida em que se passa a estudar e entender os diversos entrelaçamentos entre as narrativas míticas gregas correlacionadas à Medicina e a incorporação dessas figuras, principalmente da figura de Quíron, pelo médico a partir do Juramento, tenha ou não consciência desse processo.
O livro “Humanização da Medicina e seus Mitos” tem sido usado por diversos cursos de várias instituições para discutir a questão da Humanização da Medicina, incluindo o próprio “mito da humanização”.
No ano de 2016 pretende-se lançar a segunda edição desse livro.

sábado, 10 de outubro de 2015

Martins Fontes – Poesia 2


Crepúsculo

Alada, corta o espaço uma estrela candente.
As folhas fremem. Sopra o vento. A sombra avança.
Paira no ar um langor de mística esperança
e de doçura triste, inexprimivelmente.

À surdina da luz irrompe, de repente,
o coro vesperal das cigarras. E mansa,
E marmórea, no céu, curvo e claro, balança,
Entre nuvens de opala, a concha do crescente.

Na alma, como na terra, a noite nasce. É quando,
da recôndita paz das horas esquecidas,
vão, ao luar da saudade, os sonhos acordando...

E, na torre do peito, em plácidas batidas,
melancolicamente, o coração chorando,
plange o réquiem de amor das ilusões perdidas.
                                                                        (Verão)

Fonte bibliográfica: Martins Fontes - Poesia. Coleção Nossos Clássicos. Direção de Alceu Amoroso Lima e Roberto Alvim Correa. Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1959. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Martins Fontes - Poesia


O Espírito da Matéria

Também as catedrais são sinfonias:
Rege a massa coral da arquitetura
a divinização da partitura;
e ambas se irmanam por analogias!

O alegro, o adágio, o andante, a tessitura,
o arco, o fuste, o florão... Alegorias
que, pela execução das harmonias,
timbram exatas, no esplendor da altura!

E, pelos olhos, as orquestras se ouvem.
E, pelo ouvido, a torre se levanta,
para que os sonhos da matéria louvem!

E, na sua amplitude sacrossanta,
a alma de um Brunelleschi ou de um Beethoven,
fulge na pedra, quando a pedra canta!
                                                    (A Canção de Ariel)

Fonte bibliográfica: "Martins Fontes - Poesia". Nossos Clássicos. Direção de Alceu Amoroso Lima e Roberto Alvim Correa. Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1959. 

domingo, 4 de outubro de 2015

Dados biográficos do escritor Martins Fontes


1884 – 23 de Junho: nasce em Santos, Estado de São Paulo, o poeta José Martins Fontes.

1889 – Faz estudos primários com sua mãe D. Isabel Martins e, depois, com seu pai, Dr. Silvério Fontes, médico, sociólogo, jornalista.

1892 – 1 de Maio: estreia do menino como orador, lendo, no “Centro Socialista”, um hino a Castro Alves.

1898 – Adolescente, tendo frequentado os colégios de Leopoldina Coelho, Eugênio Porchat e Tarquínio Silva, transfere-se para o Ginásio Nogueira da Gama, em Jacareí.

1901 – Concluídos os seus estudos de ginásio, matricula-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Durante os anos de estudante, trabalha na “Gazeta de Notícias”, no “O País”, na revista “Careta” e em outros periódicos.

1906 – Doutorando-se, inicia sua carreira como interno na clínica do Dr. Juliano Moreira, no Hospital de Alienados.

1908 – Toma parte, como médico, na Comissão de Obras do Acre, sob a direção de Bueno de Andrade.

1910 – É designado chefe da Assistência Escolar da Prefeitura carioca, auxiliar de Oswaldo Cruz na profilaxia urbana do Distrito Federal.

1914 – Funda, com Olavo Bilac, uma Agência Americana, para serviço de propaganda dos produtos brasileiros em Paris, Havre, Hamburgo, Nova York, etc.

1915 – Passa a residir, de novo, em Santos.

1917 – Publica seu primeiro livro, “Verão”.

1919 – Casa-se com D. Nicota Neto.

1922 – Aparecimento de “Arlequinada”, uma representação em que ele mesmo toma parte.

1923 – Visita de Vargas Vila ao poeta, em Santos.

1924 – Eleito para a Academia de Ciências de Lisboa.

1926 – Publica “Vulcão” (poemas).

1930 – Acompanha Júlio Prestes em viagem que este, então eleito Presidente da República, fez à Europa e Estados Unidos.

1931 – Publica “A Flauta Encantada”.

1933 – Publica “Sombra, Silêncio e Sonho”.

1937 – (Início do Ano): visita de Vilaespesa. – 25 de Junho: falece Martins Fontes em sua cidade natal, Santos. 

Fonte bibliográfica: "Martins Fontes - Poesia" - Coleção Nossos Clássicos - Direção de Alceu de Amoroso Lima e Roberto Alvim Correa. Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1959. 

domingo, 12 de julho de 2015

Poesias de Raul Leôni


Crepuscular

Poente no meu jardim... O olhar profundo
Alongo sobre as árvores vazias,
Essas em cujo espírito infecundo
Soluçam silenciosas agonias.

Assim estéreis, mansas e sombrias,
Sugerem à emoção em que as circundo
Todas as dolorosas utopias
De todos os filósofos do mundo.

Sugerem... Seus destinos são vizinhos:
Ambas, não dando frutos, abrem ninhos
 Ao viandante exânime que as olhe.

Ninhos, onde vencida de fadiga,
A alma ingênua dos pássaros se abriga
E a tristeza dos homens se recolhe.


História antiga

No meu grande otimismo de inocente,
Eu nunca soube por que foi... um dia,
Ela me olhou indiferentemente,
Perguntei-lhe por que era... Não sabia...

Desde então transformou-se de repente
A nossa intimidade correntia
Em saudações de simples cortesia
E a vida foi andando para a frente...

Nunca mais nos falamos... vai distante...
Mas, quando a vejo, há sempre um vago instante
Em que seu mudo olhar no meu repousa,

E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,
Que ela tenta dizer-me qualquer cousa,
Mas que é tarde demais para dizê-la...


Artista

Por um destino acima do teu Ser,
Tens que buscar nas cousas inconscientes
Um sentido harmonioso, o alto prazer
Que se esconde entre as formas aparentes.

Sempre o achas, mas ao tê-lo em teu poder
Nem no pões na tua alma, nem no sentes
Na tua vida, e o levas, sem saber,
Ao sonho de outras almas diferentes...

Vives humilde e inda ao morrer ignoras
O Ideal que achaste... (Ingratidão das musas!)
Mas não faz mal, meu bômbix[1] inocente:

Fia na primavera, entre as amoras,
A tua seda de ouro, que nem usas
Mas que faz tanto bem a tanta gente...


[1] Bicho da seda. 

sábado, 11 de julho de 2015

Dados Biográficos do escritor Raul de Leôni


1895 – 30 de Outubro: Nasce, em Petrópolis, Estado do Rio, Raul de Leôni Ramos, filho do magistrado Carolino de Leôni Ramos e de D. Augusta Villaboim Ramos.

1903 – Cursa o Primário e a seguir o Secundário, no Colégio Abílio, na Capital Federal.

1910 – 11 de setembro: Faz a primeira comunhão, aos 15 anos de idade, na Capela do Colégio São Vicente, dos Padres Premonstratenses, em Petrópolis, onde se encontra internado.

1912 – Matricula-se Raul de Leôni na Faculdade Livre de Direito do Distrito Federal, colando grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais quatro anos após.

1913 – 9 de abril: Parte Raul de Leôni para a Europa, aos 18 anos, indo visitar a Inglaterra, a França, Itália, Espanha e Portugal.

1914 – De volta do Rio de Janeiro, inicia colaboração literária nas revistas “Fon-Fon” e “Para-Todos”, colaborando mais tarde em “O Jornal” (1919), no “Jornal do Commercio” e no “Jornal do Brasil”.

1918 – 13 de março: É nomeado por Nilo Peçanha, Ministro das Relações Exteriores no governo Wenceslau Brás, para o cargo de 2º secretário da Legação do Brasil em Cuba, não chegando a assumir, regressando da Bahia.

1919 – Após declinar da sua declinação para cargo idêntico, em nossa Legação junto ao Vaticano, é eleito deputado à Assembleia Fluminense.

1919 – Publica o seu primeiro livro de poesias, a “Ode a um poeta morto”, dedicado à memória de Olavo Bilac.

1921 – 6 de abril: Casa-se em Petrópolis, com D. Ruth Soares Gouvêa, que havia conhecido, três meses antes, num baile do Itamarati.

1922 – Publica o seu livro clássico “Luz Mediterrânea” e começa a colaborar no jornal “O Dia”, de Virgílio de Mello Franco e Azevedo Amaral.

1923 – Adoece do pulmão, abandonando o convívio de parentes e amigos e indo para Correias e a seguir, Itaipava, licenciando-se do cargo de inspetor na Companhia de Seguros em que trabalhava.

1926 – 21 de novembro: Morre, na “Vila Serena”, em Itaipava, Raul de Leôni, sendo conduzido o seu corpo, em derradeira viagem, para Petrópolis, que lhe presta as suas últimas homenagens, sepultando-o à sombra do Cruzeiro das Almas, erigindo-lhe um mausoléu e dando o seu nome a um trecho da Rua Sete de Setembro.


Fonte bibliográfica: Raul de Leoni - trechos escolhidos. Por Luiz Santa Cruz. Coleção Nossos Clássicos. Publicados sob a direção de Alceu Amoroso Lima, Roberto Alvim Corrêa e Jorge de Sena. Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1961.